
Acredito que as pessoas sempre
dizem que fariam no seu último dia na terra tudo aquilo que não tiveram coragem
de fazer por toda vida, ou o que sempre fizeram escondido aos olhos dos outros e
jamais tiveram vontade alguma de revelar ao mundo suas peripécias e
desejos.
Quando paro para pensar no que eu faria, sabendo que só me restaria
mais um dia na condição de uma reles mortal, penso que, primeiramente, seria
impossível. São muitas coisas. Muitos sonhos, vontades e curiosidades para
experimentar. Mas, posso tentar fazer uma prévia das minhas
prioridades.
Primeiramente, uma grande parte deste precioso dia seria
destinada a ficar ao lado da pessoa que eu amo, pois, nas minhas últimas 24 horas, milagres aconteceriam.
Escolheria o lugar mais alto e lindo que houvesse no mundo, com o céu mais azul
e cheio de pequenas nuvens, um sol radiante e nada escaldante, as mais rosadas
flores, e lindas borboletas amarelas voando. Também aproveitaria para dizer tudo o que jamais seria
possível em um só dia, diria tudo – exatamente tudo – o que tenho para falar,
das coisas mais lindas e puras às mais vergonhosas e infames!
Além de todo
este irresistível cenário de amor, eu satisfaria todas as minhas vontades
ridículas e infantis. Na cara, um sorriso de que tudo foi vivido entensamente do jeite que pude, sorriso de sonhos realizados. Acertaria as contas com todas as infelizes criaturas que
menos suporto no mundo quebrando um dente de cada uma, os frontais – claro;
abriria todas as gaiolas que prendem belos pássaros.
daria caviar ao meu cachorro, só pelo simples prazer de vê-los comendo o que
outros tipos de cachorros acham chique; diria EU TE AMO zilhões de vezes aos
que sempre estiveram comigo nas piores e melhores horas que passei, e agradeceria a todos eles o amor que me deram.
No
fim do dia, ficaria ao lado da pessoa que mais iria sentir falta quando partice.
Depois de um delicioso banho, adormeceria ao lado da pessoa que hoje mais importa na minha vida, e, abraçadinhos, esperaríamos pelo fim do mundo.